Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, destaca que o metano é um dos gases de efeito estufa mais potentes da atmosfera, com capacidade de aquecimento global cerca de 28 vezes superior à do dióxido de carbono em um horizonte de cem anos. E os aterros sanitários estão entre suas maiores fontes de emissão no Brasil. Cada tonelada de resíduo orgânico depositada sem tratamento adequado produz metano durante décadas, contribuindo silenciosamente para as mudanças climáticas enquanto o lixo se decompõe sob a superfície.
A redução de emissões de metano em aterros é simultaneamente uma obrigação climática e uma oportunidade concreta de geração de energia a partir de resíduos, combinando impacto ambiental positivo com viabilidade econômica mensurável. Continue a leitura e veja como ela é fundamental para gestores e empresas comprometidos com metas climáticas reais.
Por que o metano gerado em aterros é um problema climático urgente?
A decomposição anaeróbia de matéria orgânica em aterros sanitários e lixões produz biogás, uma mistura composta majoritariamente por metano e dióxido de carbono. Quando esse gás é liberado diretamente para a atmosfera, sem captação ou aproveitamento, contribui de forma expressiva para o aquecimento global. No contexto brasileiro, em que a fração orgânica representa mais da metade dos resíduos sólidos urbanos coletados e grande parte ainda é destinada a aterros sem sistema de captação de biogás, a magnitude das emissões é considerável e pouco discutida na agenda pública.
Conforme observa Marcello José Abbud, tratar as emissões de metano dos aterros apenas como externalidade ambiental inevitável é um erro que o Brasil não pode continuar cometendo. Cada metro cúbico de metano capturado é um metro cúbico que deixa de contribuir para o aquecimento global e pode ser convertido em energia elétrica, biometano para a rede de gás natural ou calor para processos industriais.
Captação de biogás e geração de energia a partir de resíduos: A equação que fecha
O aproveitamento do biogás de aterros sanitários para geração de energia elétrica ou biometano é uma das aplicações mais maduras e comprovadas da economia circular aplicada à gestão de resíduos sólidos urbanos. Aterros de grande porte que operam sistemas de captação bem dimensionados podem gerar volumes expressivos de energia, suficientes para abastecer parcialmente a própria operação e ainda comercializar o excedente para a rede elétrica. Em aterros menores, a produção de biometano para uso veicular da frota municipal tem se mostrado uma alternativa economicamente viável e ambientalmente eficiente.

Para Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, o biogás de aterros representa um dos caminhos mais imediatos para que municípios brasileiros comecem a gerar energia a partir de resíduos sem depender de grandes investimentos em novas tecnologias. Onde já existe um aterro sanitário operando, grande parte da infraestrutura está pronta; o que falta é instalar o sistema de captação e o equipamento de aproveitamento energético, investimento que se paga em horizonte relativamente curto quando o projeto é bem dimensionado.
Além do aterro: Como evitar a geração de metano na fonte?
A estratégia mais eficaz de longa duração para a redução de emissões de metano não está no gerenciamento do gás já produzido, mas na prevenção de sua geração. Isso significa tratar a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos antes que ela chegue ao aterro, seja por compostagem, seja por digestão anaeróbia controlada em usinas específicas.
Quando o resíduo orgânico é processado em ambiente controlado, o metano gerado é capturado integralmente e aproveitado, sem emissão difusa para a atmosfera. Esse modelo representa um salto qualitativo em relação à simples captação no aterro. Como aponta Marcello José Abbud, a transição para sistemas de gestão de RSU que tratam a fração orgânica fora dos aterros é o caminho mais consistente com as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e com os princípios da economia circular.
Redução de metano em aterros como pilar da gestão climática e da valorização de RSU
A redução das emissões de metano em aterros sanitários é uma das contribuições mais diretas que a gestão de resíduos sólidos urbanos pode oferecer à agenda climática global. Ela combina impacto ambiental imediato com geração de valor econômico a partir de resíduos e representa um passo concreto em direção à economia circular e à sustentabilidade da gestão municipal.
Conforme resume o especialista em soluções ambientais, Marcello José Abbud, os municípios e operadoras que adotam essa agenda com seriedade constroem sistemas de gestão de RSU mais resilientes, mais rentáveis e mais alinhados com os compromissos climáticos que o Brasil assumiu perante a comunidade internacional.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez