Assistente virtual, mapas digitais e roteiros personalizados mostram como a tecnologia está mudando a experiência em grandes festas brasileiras.
A tecnologia deixou de estar apenas nos bastidores dos grandes eventos e passou a fazer parte da experiência de quem participa de uma festa. Um dos exemplos mais recentes está na 71ª Festa do Peão de Barretos, que começou em 20 de agosto e segue até 30 de agosto, no interior de São Paulo. O evento reúne rodeio, música, gastronomia e cultura, com mais de 120 atrações musicais e uma programação distribuída por um complexo de grandes dimensões.
A novidade que chama atenção é a atualização do aplicativo oficial do evento, que ganhou o Jeromão, um assistente virtual baseado em inteligência artificial. A ferramenta funciona como um guia digital para ajudar o público a encontrar atrações, consultar horários e organizar melhor a permanência no evento.
A iniciativa revela uma mudança importante para o mercado de festas: quanto maior e mais complexa é a programação, maior também é a necessidade de ferramentas que ajudem o visitante a se orientar. Para quem gosta de shows, festivais e grandes experiências presenciais, a pergunta passa a ser outra: como a inteligência artificial pode melhorar uma festa sem tirar dela a espontaneidade?
Como a inteligência artificial está mudando a experiência em grandes festas
Em eventos gigantes, encontrar um palco, descobrir o horário de um show ou simplesmente entender a distância entre duas atrações pode consumir uma parte considerável do tempo do visitante. Em Barretos, a dimensão do Parque do Peão torna essa organização especialmente relevante: o espaço tem cerca de 2 milhões de metros quadrados e reúne palcos, áreas de alimentação, banheiros, estacionamentos, camping e outros pontos de apoio.
É justamente nesse cenário que o aplicativo atualizado ganha importância. O Jeromão foi desenvolvido para responder dúvidas em tempo real e facilitar a localização das atrações, enquanto o mapa com geolocalização ajuda o visitante a compreender onde está e para onde precisa ir. O sistema também permite montar um roteiro personalizado para acompanhar a programação, transformando uma agenda extensa em uma experiência mais organizada.
Essa lógica pode ser aplicada a praticamente qualquer festival de grande porte. Em vez de o público simplesmente receber uma lista enorme de horários, a tecnologia pode ajudar a selecionar atividades de acordo com interesses, localização e tempo disponível. Para quem vai a uma festa pela primeira vez, isso também reduz uma das dificuldades mais comuns: chegar ao local e não saber por onde começar.
A tendência combina com uma transformação maior no mercado de eventos, em que o público procura cada vez mais experiências integradas. O Ministério do Turismo destaca que festivais musicais, festas tradicionais e outros eventos funcionam como indutores de viagens, influenciando tanto a escolha do destino quanto o período da visita. A publicação de tendências do órgão para 2026 aponta ainda que experiências que combinam entretenimento, cultura e emoção podem estruturar roteiros completos, incluindo gastronomia e atrações turísticas.
O que Barretos revela sobre o futuro das festas e dos festivais
O caso de Barretos também mostra que inovação em eventos não significa necessariamente criar uma atração tecnológica separada da festa. A tecnologia pode estar presente de maneira discreta, ajudando o visitante justamente nos momentos em que ele precisa tomar decisões. Em uma programação com mais de 120 atrações musicais e cerca de 3.500 competidores de rodeio, por exemplo, escolher o que assistir é quase tão importante quanto descobrir quais artistas estarão no palco.
Essa mudança ajuda a explicar por que aplicativos, mapas digitais e ferramentas de inteligência artificial começam a ganhar espaço em eventos de grande escala. O visitante não quer apenas comprar um ingresso e entrar: ele busca aproveitar melhor o tempo, encontrar atrações, descobrir novidades e compartilhar a experiência. A tecnologia passa, então, a funcionar como uma espécie de camada invisível que conecta programação, localização e informação.
O movimento não acontece isoladamente. O próprio mercado brasileiro de eventos vem mostrando expansão na quantidade de empresas cadastradas como organizadoras de eventos. Segundo o Anuário Estatístico do Turismo 2025, elaborado pelo Ministério do Turismo, o Brasil passou de 9.011 organizadoras cadastradas em 2023 para 11.521 em 2024. O crescimento aparece em diferentes regiões, com destaque para o Sudeste, que chegou a 4.581 empresas cadastradas em 2024.
A ABEOC também vem destacando a importância econômica do setor. Em levantamento divulgado pela entidade em abril de 2026, São Paulo registrou R$ 14 bilhões em faturamento no segmento de eventos corporativos em 2025, enquanto foram realizados 1.511 eventos de grande porte na cidade, alta de 22% em relação ao ano anterior. Embora os números sejam referentes ao segmento corporativo, eles ajudam a dimensionar a força da cadeia de eventos no país e a demanda por estruturas cada vez mais profissionais.
Para festas, festivais e shows, essa profissionalização pode significar experiências mais conectadas. Sistemas digitais podem ajudar na comunicação com o público, na distribuição das informações, na orientação dentro do espaço e até na criação de roteiros personalizados. O desafio será encontrar o equilíbrio entre conveniência tecnológica e aquilo que faz uma grande festa ser memorável: música, encontros, descoberta e sensação de estar vivendo algo coletivo.
Por que a tecnologia deve aparecer cada vez mais nas festas brasileiras
A experiência de Barretos aponta para uma tendência que pode chegar a diferentes formatos de eventos no Brasil. Festivais de música, festas regionais, eventos universitários, celebrações de Carnaval e grandes encontros gastronômicos lidam com públicos numerosos e programações cada vez mais complexas. Quanto maior a quantidade de atrações, mais útil se torna uma ferramenta capaz de organizar informações sem exigir que o visitante fique procurando respostas em diferentes lugares.
O impacto também pode aparecer no turismo de festas. O Ministério do Turismo informou que, no primeiro trimestre de 2026, apoiou 19 eventos estratégicos, com investimentos de aproximadamente R$ 8,32 milhões entre convênios e patrocínios. Segundo o órgão, as iniciativas tinham entre seus objetivos promover destinos, estimular o fluxo de visitantes e gerar impactos positivos nas economias locais.
Isso significa que uma festa pode ser muito mais do que algumas horas de música. Quando um evento atrai visitantes de outras cidades, ele movimenta hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços. A tecnologia pode ajudar justamente nessa jornada mais ampla, oferecendo informações que acompanham o visitante antes, durante e depois da festa.
Barretos é um exemplo interessante porque reúne tradição e inovação no mesmo espaço. De um lado estão o rodeio, a música sertaneja, a gastronomia e uma festa construída ao longo de décadas; de outro, aparecem inteligência artificial, geolocalização e planejamento digital da programação. O resultado mostra que adotar tecnologia não significa abandonar a identidade de uma celebração, mas encontrar novas formas de facilitar o acesso do público àquilo que já torna o evento especial.
Para quem acompanha o universo das festas, essa transformação merece atenção. A próxima grande novidade de um festival pode não estar apenas no palco, no DJ ou no artista anunciado, mas também na maneira como o público vai descobrir, organizar e vivenciar cada momento. A tendência é que a tecnologia fique cada vez mais integrada às festas brasileiras, tornando experiências gigantes mais fáceis de navegar sem necessariamente roubar delas a surpresa.
O futuro dos grandes eventos pode ser justamente essa combinação: estruturas profissionais, programação diversificada e ferramentas digitais capazes de acompanhar o visitante. Barretos mostra que a inteligência artificial já começou a ocupar esse espaço de maneira prática, funcionando como uma espécie de guia para quem quer aproveitar mais e se perder menos. Para o público apaixonado por shows e festivais, a novidade é significativa porque transforma o celular em uma ferramenta de experiência, e não apenas de registro. E, à medida que o mercado de eventos cresce, soluções desse tipo tendem a se tornar cada vez mais comuns nas festas brasileiras.
Fontes:
- UOL — Jeromão: conheça o “anfitrião de bolso” da Festa do Peão de Barretos — informações sobre o aplicativo Roseta, inteligência artificial, mapa com geolocalização e roteiro personalizado.
- UOL — Festa do Peão de Barretos 2026: programação e atrações — dados sobre a 71ª edição, shows, rodeio e estrutura do evento.
- ABEOC Brasil — Mercado de eventos corporativos cresce e reforça papel do turismo de negócios no Brasil — dados do mercado brasileiro de eventos e faturamento em São Paulo.
- Ministério do Turismo — Anuário Estatístico de Turismo — dados oficiais sobre turismo e atividades relacionadas ao setor de eventos no Brasil.
- Região News — Aplicativo da Festa do Peão de Barretos usa inteligência artificial — informações adicionais sobre o Jeromão e as funcionalidades do aplicativo oficial.