A AMD anunciou, em 28 de setembro de 2026, um acordo definitivo para adquirir a World Labs, empresa de inteligência artificial fundada pela pesquisadora Fei-Fei Li. A operação foi avaliada em aproximadamente US$ 8,2 bilhões, pagos em ações, e ainda depende de aprovações regulatórias e de outras condições usuais de fechamento. A expectativa informada pelas empresas é concluir a transação até o fim de 2026.
O negócio coloca uma das principais especialistas mundiais em visão computacional no centro da estratégia da fabricante de semicondutores. Com a conclusão da aquisição, Fei-Fei Li deverá assumir os cargos de vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD, reportando-se diretamente a Lisa Su, presidente e CEO da companhia.
Segundo o comunicado oficial da AMD, a integração pretende aproximar a experiência da World Labs em modelos avançados das áreas de hardware, software e sistemas de computação. Os fundadores Justin Johnson e Ben Mildenhall também devem continuar envolvidos na liderança da equipe após a incorporação da empresa.
O que a World Labs desenvolve
A World Labs trabalha com o conceito de inteligência espacial, uma área dedicada à criação de sistemas capazes de interpretar e representar ambientes tridimensionais. Seus modelos podem gerar, reconstruir e simular espaços a partir de textos, imagens e vídeos, ampliando a capacidade dos sistemas de inteligência artificial de compreender relações entre objetos, cenários e movimentos.
Essa tecnologia pode ser aplicada em campos como robótica, simulação, criação digital e outras soluções voltadas à interação com o mundo físico. Na prática, a proposta vai além da análise de imagens isoladas: trata-se de desenvolver modelos capazes de formar representações mais completas sobre ambientes e situações reais.
De acordo com a página institucional da World Labs, a empresa concentra sua pesquisa no desenvolvimento de modelos que ajudem máquinas a compreender o espaço ao redor. Essa competência interessa diretamente à AMD, que busca fortalecer sua posição na infraestrutura necessária para treinar e executar sistemas avançados de IA.
AMD tenta avançar além dos chips
A aquisição ocorre em um momento de forte disputa entre grandes empresas de tecnologia pelo controle da cadeia de inteligência artificial. A AMD é conhecida principalmente pela produção de processadores e aceleradores utilizados em centros de dados, mas o acordo indica uma estratégia mais ampla: participar também do desenvolvimento dos modelos e das aplicações que definirão a demanda por computação nos próximos anos.
Na avaliação apresentada pela companhia, o conhecimento da World Labs poderá orientar a criação de soluções para raciocínio, robótica, simulação e chamada inteligência artificial física. Esses sistemas dependem de grande capacidade de processamento, mas também de modelos capazes de interpretar ambientes, prever consequências e interagir com elementos do mundo real.
O documento regulatório enviado pela AMD à Securities and Exchange Commission registra que o acordo de fusão foi firmado em 26 de setembro de 2026. A divulgação pública ocorreu dois dias depois, enquanto o fechamento permanece condicionado às análises e autorizações aplicáveis.
Fei-Fei Li ganha novo papel na indústria de IA
Além do valor financeiro, a operação chama atenção pela posição que Fei-Fei Li passará a ocupar dentro da AMD. A pesquisadora é associada à criação da base de dados ImageNet e ao avanço da visão computacional, área essencial para que sistemas de inteligência artificial reconheçam e interpretem imagens, objetos e ambientes.
A trajetória combina pesquisa acadêmica, empreendedorismo e participação no desenvolvimento de tecnologias que ajudaram a impulsionar a atual geração de aplicações de IA. Ao assumir uma função executiva e científica na AMD, Li deverá contribuir para aproximar a pesquisa sobre modelos inteligentes das decisões relacionadas à infraestrutura computacional.
A World Labs havia anunciado, em fevereiro de 2026, uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão. Conforme o anúncio institucional da rodada, participaram investidores como AMD, Nvidia, Salesforce e Samsung, entre outras empresas. O investimento anterior ajuda a dimensionar o interesse do mercado pelas tecnologias de inteligência espacial.
Uma disputa pelo futuro da computação
A compra da World Labs mostra como a competição em inteligência artificial vem se deslocando da fabricação de componentes para o domínio de capacidades completas. Empresas do setor procuram reunir chips, software, modelos e equipes especializadas para reduzir dependências e influenciar os padrões tecnológicos que serão adotados em áreas como robótica, entretenimento digital e simulação.
Para a AMD, a aquisição amplia o acesso a pesquisadores e tecnologias voltados à compreensão do mundo físico. Para a World Labs, a integração oferece a possibilidade de desenvolver seus modelos com o suporte de uma companhia global de semicondutores. O resultado dependerá das aprovações regulatórias e da forma como as equipes serão incorporadas até a conclusão prevista para o fim de 2026.