Conforme destaca Rolando Bonaccorsi, diretor de operações da Vert Analytics, a automação transformou o modo como as empresas executam processos repetitivos, reduzindo tempo e custos operacionais. Entretanto, essa mesma automação, quando implementada sem os mecanismos adequados de acompanhamento, pode se tornar uma fonte de risco silenciosa.
Aliás, o problema não está na automação em si, mas na ausência de visibilidade sobre o que ela executa em tempo real. Pensando nisso, ao longo deste artigo, abordaremos até que ponto uma automação sem observabilidade compromete a segurança operacional de um negócio.
Por que a automação avança mais rápido que a visibilidade sobre ela?
Equipes adotam automação para ganhar velocidade, e a lógica faz sentido: menos tarefas manuais, menos erros humanos e execução constante. Segundo o especialista em gestão de operações de TI e excelência em serviços, Rolando Bonaccorsi, o problema surge quando a implementação avança em ritmo mais acelerado do que a capacidade de acompanhar o que está sendo automatizado. Com isso, sistemas passam a operar em segundo plano, tomando decisões e executando rotinas sem que ninguém acompanhe os detalhes desse movimento.
Esse descompasso entre velocidade de implantação e maturidade de monitoramento é o que transforma automação em risco. Assim, quando ninguém consegue explicar por que um processo tomou determinada decisão, a empresa perde a capacidade de corrigir falhas antes que elas se espalhem por outras etapas da operação.
O que a ausência de observabilidade esconde em processos automatizados?
De acordo com Rolando Bonaccorsi, sem observabilidade, uma falha pode se repetir centenas de vezes antes de ser percebida, porque o sistema continua rodando, gerando registros, cumprindo tarefas, ainda que o resultado esteja incorreto. A automação não distingue entre executar corretamente e executar de forma equivocada; ela apenas repete o que foi programado, inclusive quando o comportamento se desvia do esperado.
Isto posto, o custo desse tipo de falha silenciosa é geralmente maior do que o de uma interrupção visível, porque ninguém percebe o problema a tempo. Enquanto um sistema manual gera alertas humanos quase imediatos, a automação sem monitoramento pode operar de forma equivocada por semanas.
Observabilidade na automação: o que realmente importa monitorar?
Observabilidade não significa apenas coletar dados, significa transformar esses dados em entendimento sobre o comportamento real de um sistema automatizado. Como ressalta o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, isso envolve registrar o que cada etapa executa, comparar o resultado esperado com o resultado obtido e sinalizar qualquer desvio antes que ele se torne um problema maior para a operação. Fundado nisso, os seguintes elementos são centrais para o acompanhamento de forma consistente:
- Logs de execução: registros detalhados de cada ação tomada pelo sistema automatizado;
- Alertas de exceção: notificações imediatas quando um processo foge do padrão esperado;
- Métricas de desempenho: indicadores que mostram se a automação mantém a qualidade ao longo do tempo;
- Rastreabilidade de decisões: histórico que permite entender por que determinado resultado foi gerado.
Esses elementos, quando integrados, transformam a automação em um processo auditável, capaz de ser corrigido antes que um erro se propague para outras áreas do negócio. Sem esse tipo de estrutura, cada nova rotina automatizada aumenta o risco acumulado, mesmo que pareça funcionar bem no curto prazo.
O equilíbrio que sustenta uma automação confiável
Em última análise, automatizar processos continuará sendo uma prioridade estratégica, mas o valor dessa automação depende diretamente da capacidade de enxergar o que acontece por trás de cada execução. Desse modo, a observabilidade não é um recurso opcional, é a condição que permite confiar no que foi automatizado sem abrir mão do controle sobre o resultado final.
Assim sendo, quem lidera processos automatizados ganha mais ao investir em visibilidade do que ao investir apenas em velocidade. Esse é o tipo de decisão que separa operações resilientes de operações que apenas parecem funcionar, até o momento em que um erro silencioso revela o contrário na prática.