Conforme Tiago Schietti, o envelhecimento da população é uma das transformações demográficas mais relevantes da sociedade contemporânea e seus efeitos vão muito além dos sistemas de saúde e previdência. À medida que a expectativa de vida aumenta e a estrutura etária da população se modifica, surgem novos desafios operacionais, éticos, econômicos e sociais para as empresas funerárias. Compreender esses impactos futuros não é apenas uma questão de planejamento de mercado, mas também de responsabilidade social e adequação às novas realidades humanas. Leia para saber mais sobre o tema!
Envelhecimento populacional e a mudança no perfil da demanda funerária
O aumento da população idosa altera significativamente o volume e a previsibilidade da demanda por serviços funerários. Diferentemente de eventos inesperados, o envelhecimento traz uma dinâmica mais contínua e planejável, o que exige das empresas maior capacidade de organização, gestão de recursos e estrutura operacional.
Além disso, o perfil das famílias está mudando, como destaca Tiago Schietti. Famílias menores, maior número de pessoas idosas vivendo sozinhas e relações familiares mais distantes impactam diretamente a forma como os serviços funerários são acionados e conduzidos. Em muitos casos, há menos pessoas disponíveis para lidar com decisões práticas e emocionais, o que aumenta a necessidade de orientação, acolhimento e clareza por parte das funerárias.
Como o envelhecimento influencia a forma de despedida?
As gerações que hoje envelhecem possuem valores, expectativas e visões diferentes sobre a morte quando comparadas às gerações anteriores, assim como avalia Tiago Schietti. Isso se reflete diretamente nas escolhas relacionadas aos rituais de despedida, cerimônias e homenagens.
Há uma tendência crescente de busca por cerimônias mais simples, personalizadas e menos formais, que respeitem a história de vida da pessoa falecida. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por soluções que reduzam o impacto emocional e financeiro para os familiares, especialmente em contextos de renda fixa ou aposentadoria.

Essas mudanças exigem do setor funerário sensibilidade cultural, capacidade de adaptação e uma postura menos padronizada, mais orientada ao diálogo e ao entendimento das necessidades reais de cada família.
Impactos operacionais e desafios para o setor funerário
O envelhecimento populacional traz consigo desafios operacionais importantes. O aumento gradual da demanda exige investimento em infraestrutura, qualificação de equipes e revisão de processos para garantir agilidade sem perder a humanização no atendimento.
Como observa Tiago Schietti, outro ponto sensível é a saúde física e emocional dos profissionais do setor, que passam a lidar com maior volume de atendimentos e com famílias, muitas vezes, fragilizadas por processos longos de adoecimento e cuidados prévios. Isso reforça a necessidade de políticas internas de apoio psicológico, capacitação e valorização profissional.
Além disso, o setor precisará se adaptar a novas exigências regulatórias, urbanísticas e ambientais, especialmente em grandes centros urbanos, onde a pressão sobre espaços cemiteriais tende a se intensificar.
Principais impactos futuros do envelhecimento no setor funerário
Alguns impactos já podem ser observados e tendem a se intensificar nos próximos anos:
- Aumento gradual e contínuo da demanda por serviços funerários;
- Crescimento do planejamento funerário realizado em vida;
- Maior busca por cerimônias personalizadas e menos tradicionais;
- Necessidade de atendimento mais humanizado e orientativo;
- Pressão por eficiência operacional sem perda de sensibilidade;
- Valorização da transparência e da ética na relação com as famílias;
- Demanda crescente por profissionais capacitados emocionalmente.
De acordo com Tiago Schietti, esses pontos indicam que o setor funerário precisará ir além da operação técnica e assumir um papel mais ativo no apoio às famílias e à sociedade.
O setor funerário como agente social diante do envelhecimento
Em conclusão, diante do envelhecimento da população, o setor funerário tende a assumir um papel social ainda mais relevante. Não se trata apenas de prestar um serviço, mas de atuar como um elo entre a despedida, o cuidado com a memória e o respeito à dignidade humana. Empresas que compreendem esse cenário e se preparam para ele estarão mais aptas a enfrentar os desafios futuros, construir relações de confiança e contribuir positivamente para a sociedade.
Autor: Viktor Kolosov